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O setor imobiliário da China é onde mais se perpetua a corrupção. Entre 2006 e 2009, foram investigados 16.830 casos de suborno em imobiliárias. O setor imobiliário da China é onde mais se perpetua a corrupção.

No dia 04 de junho de 1989 , uma praça na capital de Pequim foi palco da mais sangrenta repressão do Exército Popular da China contra seu próprio povo. Mundialmente conhecido como Massacre da Praça da Paz Celestial, o episódio começou no funeral de Hu Yaobang, antigo Secretário Geral do Partido Comunista Chinês e principal opositor do Primeiro-ministro Li Peng. A manifestação, organizada por universitários numa passeata com cerca de 100 mil pessoas, teve apoio de toda a população, que clamava pela democracia, reforma do sistema político, liberdade de expressão e pelo fim da corrupção.

O sangrento confronto teve um saldo de milhares de mortos, presos e desaparecidos, mas os números oficiais nunca foram divulgados pelo governo chinês. Na ocasião, a imprensa estrangeira foi expulsa, as divulgações do massacre maquiadas e totalmente controladas pelo governo; ações essas condenadas pela comunidade internacional. Até hoje a obscuridade gera dúvidas quanto ao número de vítimas.

O Jornal The New York Times afirma que as mortes civis variam de 400 a 800, a Cruz Vermelha Chinesa fala em 2600 pessoas, e os manifestantes dizem que os mortos chegaram a sete mil. O massacre foi eternizado pela imagem de um jovem solitário e desarmado parando uma fileira de tanques de guerra com o próprio corpo. O Rebelde Desconhecido, como passou a ser chamado, nunca foi identificado e desapareceu. Alguns dizem que ele foi executado por um pelotão de fuzilamento. O governo desmente a execução e diz que ele vive no interior do país. O rapaz foi eleito pela revista Times como uma das pessoas mais influentes do século XX.

Passadas duas décadas do Massacre da Praça da Paz Celestial, o assunto ainda é um tabu político e falar sobre ele é considerado inapropriado ou arriscado. O povo chinês ainda se depara com a corrupção, apesar dos esforços da atual República Popular da China. Hoje os governantes punem severamente casos de fraude e corrupção e, na tentativa de coibi-la, impõem penas severas e até humilhantes como exposição pública, prisão perpétua e a pena máxima: a morte. Mas a censura ainda é comum no país, toda a divulgação dos casos passa pelo crivo dos governantes.

O setor imobiliário da China é onde mais se perpetua a corrupção. Entre 2006 e 2009, foram investigados 16.830 casos de suborno em imobiliárias, 46% de todas as ocorrências comerciais no período e em toda a China. A situação levou o governo a lançar uma campanha anticorrupção no setor imobiliário, para investigar casos como o desmoronamento de escolas na província de Sichuan, que levou a morte de quase quatro mil crianças, após um forte terremoto em 2008. As investigações concluíram que as escolas foram construídas com material inferior e superfaturado; e pior, as obras foram liberadas sem a devida fiscalização e licença.

O mais grave caso de corrupção vivido na China na última década surgiu em 2006, com o nome Escândalo de Xangai, causou uma crise política e à queda do Secretário Geral do Partido Comunista Chinês, Chen Liangyu, quando se descobriu desvios de fundos da previdência social. Chen era ligado ao “grupo de Xangai”, o círculo de influência do ex-presidente Jiang Zemin, e apontado como futuro presidente do país. O político desviou um terço da previdência social, cerca de dois bilhões de dólares, para projetos imobiliários e de infra-estruturas através contratos ilícitos com diversas empresas públicas e privadas.

Dentre os projetos foram construídos a estrada que liga Xangai ao Autódromo Internacional, para as provas de Fórmula 1 e MotoGP, e arranha-céus, como o hotel JW Marriott. Dezenas de empresários, políticos e autoridades foram destituídos dos seus cargos e processados pela justiça chinesa sob acusação de corrupção ativa e passiva, fraude, suborno e enriquecimento ilícito. Chen Liangyu foi condenado a 18 anos de prisão, apesar de alguns promotores pedirem a pena capital, a temida sentença de morte. A mesma sorte não tiveram outros corruptos chineses.

Em 2009, Li Peiying foi executado após ser declarado culpado de receber subornos de cerca de 2,7 milhões de euros e de ter se apropriado, indevidamente, de outros 8,3 milhões de euros em fundos públicos durante 14 anos. Li Peiying cometeu os crimes enquanto diretor da empresa estatal Capital Airport Holdings, responsável pelo controle de 30 aeroportos chineses, incluindo o de Pequim. O escândalo do leite em pó contaminado causou a morte de seis crianças chinesas em 2008 e deixou cerca de 300 mil doentes.

No ano seguinte, os empresários Zhang Yujun e Geng Jinping foram condenados à morte por produzir e vender alimentos tóxicos. Outros 10 executivos foram considerados culpados no mesmo processo, dois receberam a prisão perpétua e oito deles foram punidos com prisão entre cinco a dez anos.

Outra investigação policial acarretou na condenação à morte do ex-diretor da Empresa Nacional de Energia Nuclear Kang Rixin, também em 2009, sob acusação de suborno e desvio de 206 milhões de dólares, que deveriam ser gastos na construção de usinas nucleares, e de receber suborno de uma empresa. E a corrupção não pára, assim como a punição dos criminosos com a morte.

Du Yimin e Si Chaxin são outros empresários que elevam o número de corruptos mortos na China. Du Yimin, dona de um salão de beleza, foi condenada depois de receber mais de 71 milhões de euros de centenas de investidores, dinheiro usado na compra de bens de luxo e investimentos imobiliários. Si Chaxin fraudou cerca de 300 pessoas, a quem prometera pagamento de juros de até 108%. O dinheiro aumentou sua conta bancária em cerca de 16,5 milhões de euros. A Suprema Corte Chinesa justificou suas mortes por “prejudicar seriamente a regulamentação financeira do país e sua estabilidade social”.

As denúncias extrapolam fronteiras e mancham a reputação da República Popular da China. O mundo não se esquece das 100 pessoas mortas no Panamá, intoxicadas por xaropes contra tosse falsificados, e das centenas de animais de estimação, nos Estados Unidos, mortos por ração contaminada. Pressionados pela comunidade internacional, em 2007, o governo chinês condenou e executou o ex-chefe da Administração Estatal de Alimentos e Remédios da China Zheng Xiaoyu por corrupção, negligência e suborno.

Autoridades afirmam que Zheng recebeu cerca de 650 mil euros de oito empresas farmacêuticas, para liberar produtos sem nenhum controle de qualidade, durante os dez anos que ficou no cargo. Cao Wenzhuang, subordinado de Zheng e responsável pelo registro de remédios da Estatal, também foi condenado à morte. Segundo a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional, a República Popular da China condena mais prisioneiros à morte por ano do que todos os outros países juntos.

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